
O Banco de Portugal quer reduzir para 45% o limite da taxa de esforço nos novos créditos para a compra de casa. A medida pode reduzir entre 10% a 15% o volume de novos empréstimos. Leste a notícia, pensaste "mais uma medida macro" e passaste à frente?
Se queres ser um consultor acima da média, não passes.
A taxa de esforço é a percentagem do rendimento mensal líquido do comprador que vai para o pagamento das prestações de crédito. Até agora o limite era 50%. O Banco de Portugal quer baixar para 45%.
Parece pouco. Na prática não é.
Imagina um casal com rendimento conjunto de 3.000 euros líquidos por mês. Com o limite a 50%, podiam ter uma prestação máxima de 1.500 euros. Com o limite a 45%, a prestação máxima passa para 1.350 euros. São 150 euros por mês a menos de capacidade de pagamento, o que, em empréstimo a 30 anos, representa um financiamento consideravelmente inferior.
Menos financiamento significa ou preço mais baixo, ou entrada mais alta, ou o negócio não fecha.
O problema não é arranjar novos compradores. É que compradores que já estão no processo podem perder acesso ao crédito que contavam ter.
Alguém que foi ao banco em Maio, fez uma simulação a 50% de taxa de esforço, e está agora a visitar imóveis com base nesse valor aprovado pode ter uma surpresa. Quando avançar para a pré-aprovação formal, as condições mudaram.
O que podes fazer hoje: como a medida está prevista entrar em vigor a partir do verão, a única solução é encontrar casa rápido, avaliar o imóvel e emitir cartas de aprovação. Esta é a garantia que o teu comprador pode comprar quando as condições mudarem.
Alguns proprietários vão ler "menos crédito" e concluir que devem baixar o preço já. Isso é demasiado simples.
O mercado de Lisboa e arredores tem compradores a pronto e outros com entradas altas que continuam a ter acesso a financiamento confortável. O impacto desta medida vai ser sentido no segmento de preço médio-baixo, onde o esforço financeiro já estava no limite.
O teu trabalho aqui é ajudar o proprietário a perceber em que segmento o imóvel dele está. Não com generalidades, mas com dados da zona: quantas transacções foram a crédito, qual o preço médio por metro quadrado, qual o prazo médio de venda.
Não é necessário seres especialista em crédito. Mas tens de conseguir explicar três coisas de forma simples:
Primeiro, o que mudou e porquê (o limite da taxa de esforço baixou, o objectivo é reduzir o risco de sobre-endividamento). Segundo, o que isso significa para este comprador em concreto (depende do rendimento, dos créditos que já tem, e da entrada disponível). Terceiro, qual é o passo seguinte (confirmar com o banco a pré-aprovação actualizada antes de assinar qualquer coisa).
Se consegues dizer estas três coisas com clareza e sem entrar em pânico, o cliente fica mais tranquilo. E confia mais em ti.
As medidas macro afectam sempre o mercado. O consultor acima da média que as lê, entende o impacto concreto e ajusta a conversa com os clientes é o que fica de pé quando o mercado treme. O que ignora fica a correr atrás dos acontecimentos.
Tens dúvidas sobre como adaptar a tua abordagem a este novo contexto? Estou cá para o que precisares. Vamos conversar?
Em 30 minutos olhamos para a tua situação e dizemos-te se faz sentido trabalharmos juntos.
Vamos conversar?